04/01/21

A suprema tomada do poder

O STF era um antes da transmissão ao vivo pela tv e é outro depois. O deslumbramento fez com que a maioria dos ministros passasse a atuar para as câmeras. A vaidade fez com que votos que antes seriam dados em 5 minutos hoje levem várias e intermináveis horas.

A junção da vaidade com a arrogância de quem tem poder supremo e vitalício, sem responder a ninguém, levou ao que temos hoje, um STF militante, político, que interfere em outros poderes, muda princípios da Constituição sem passar pelo Congresso, tenta impedir o Executivo de funcionar.

É mais que óbvio o preconceito da maioria dos ministros com o Presidente Jair Bolsonaro que, ao contrário deles, foi eleito pelos brasileiros para conduzir o país. O STF acata todos os pedidos de partidos nanicos de esquerda, inconformados com sua falta de votos.

Hoje, partidos como Psol, PSB, Rede, PT e assemelhados administram o Brasil por controle remoto, usando seus marionetes supremos para desfazer as medidas tomadas por Bolsonaro. Chegam a demitir ministros e servidores que o chefe do Executivo tem total liberdade para nomear, segundo a Constituição.

A Cosntituição? Ora, a Constituição...

O exemplo mais recente de rasgar o texto da lei maior do país, aprovada por uma Assembleia Constituinte eleita pelo povo brasileiro, foi a tentativa de permitir uma segunda reeleição a Rodrigo Maia, mesmo expressamente proibida pela Constituição. Ela não deixa nem margem para interpretação. Só a pressão da imprensa e a indignação do povo evitou.

No combate à Covid, o STF começou podando o direito, também expresso claramente na Constituição, de o Executivo centralizar todas as ações de enfrentamento a pandemias nacionais. Passou por cima da Carta Magna para entregar as decisões aos governadores e o resultado foi o recorde de mortes e casos em São Paulo, por exemplo.

Nesta semana, o STF conseguiu fazer uma pizza de dois sabores, uma excrescência jurídica que atenta contra direitos fundamentais do cidadão listados na Constituição e, ao mesmo tempo, deixa aberta uma condicionante de duvidosa eficácia.

O STF decidiu que a vacina contra a Covid é obrigatória e só isso já deveria inscrever os ministros nos anais do besteirol nacional. Primeiro porque elimina o direito fundamental de escolha do cidadão, o controle sobre sua própria saúde e seus princípios.

Depois porque nenhuma vacina, nem mesmo as de eficiência comprovada há décadas, como a da Polio, é isenta de efeitos colaterais e problemas graves causados a algumas pessoas. Imagine com vacinas aprovadas "nas coxas", em um quinto do tempo normal de testes.

O STF age como se todos tivessem uma saúde com as mesmas características. Eu, por exemplo, nunca peguei uma gripe na minha vida inteira e o Covid é um virus de gripe. Outras pessoas pegam gripe com facilidade. Minha última doença foi caxumba, com uns 8 anos. Outros adoecem com frequência.

Entre os dois polos existem milhões de combinações de imunidade, deficiências, propensão a certas doenças, menos a outras. O STF trata todos como clones que podem receber o mesmo remédio sem nenhuma consequência, mas todo remédio tem efeitos, até um Cebion. Basta ler qualquer bula.

O Presidente Bolsonaro, que fala como nós - brasileiros reais - falamos, fez a pergunta essencial. “Imagina que você pega uma bula e está escrito lá: o fabricante não se responsabiliza por nenhum efeito colateral. Está na bula. Vão obrigar você a tomar a vacina?"

"Se houver um efeito colateral, como parece estar havendo no Reino Unido, choque anafilático, quem vai se responsabilizar? É quem obrigou você a tomar a vacina. Não pode passar por cima da Anvisa”. Mas, como os supremos ditadores não podem ser processados por crime nenhum, ficarão isentos dessa responsabilidade.

Vai restar ao cidadão acionar seu estado na Justiça. Sim, porque o STF fez um armengue dizendo que a vacina é obrigatória, mas ninguém pode ser obrigado a tomar, uma imbecilidade jurídica em si. Porém autorizou estados, municípios e o governo federal a impor sanções e restrições contra quem não se vacinar.

Bolsonaro com certeza absoluta não vai tomar medida nenhuma porque, para o Governo Federal (e para a Constituição), nenhuma vacina pode ser obrigatória. Mas um estado como São Paulo, do DitaDoria, pode, por exemplo, impedir o servidor de receber o salário se não se vacinar. Ou que use o transporte público.

O STF deu, novamente, aos governadores e prefeitos, um poder que eles não possuem legalmente, nem poderiam possuir segundo a Constituição do país. Um poder, diga-se, digno das piores ditaduras. Outra idiotice suprema é obrigar todo mundo a tomar a vacina sabendo que não existe suficiente para toda a população, em nenhum país.

Quando foi que os brasileiros deram aos ministros do STF o poder de mudar a Constituição, de interferir nos outros poderes, de cortar liberdades? Nunca demos. Eles é que se apoderaram dos nossos direitos. Porque são inimputáveis, vitalícios, arrogantes, totalitários e vaidosos.

A culpa, claramente, é da transmissão pela tv...

Posted at 2:18 PM


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24/10/20

Um crime quase impune

Em 2006, contei na Carta ao Leitor como um dos crimes mais bárbaros do sul da Bahia poderia ter passado incólume, sem ser notado por ninguém. Começava assim:

No final de semana passado recebi ligação sobre um jovem que, depois de espancado por Marcos Gomes e seus amigos na Fazenda Redenção, sumiu. Sem saber se era real, passei o caso ao delegado Nelis Araújo, que então começou a investigar a denúncia.

É claro que sabemos mais do que noticiamos aqui, mas é preciso preservar investigações que ainda estão em curso. A Região tem entre seus princípios o de que nenhum "furo" é mais importante que ajudar no trabalho da polícia, por isso esperamos o fim de toda a investigação para noticiar.

Porém, testemunhas nos disseram que viram o filho do prefeito Gomes dar uma surra no jovem, que estava amarrado. Logo depois ele sumiu e seu corpo ainda não foi encontrado. Mas será. Durante a semana ligações nervosas cruzaram a região, políticos entraram no circuito...

Um movimento que mostra o tamanho da bronca que Nelis enfrenta. Neste sábado, publicamos o que não comprometia o trabalho da polícia, porém A Tarde noticiou outros detalhes, que tínhamos desde a terça e preservávamos a pedido da polícia.

Como o jornal de Salvador publicou, também o fazemos aqui na edição online. Porém as muitas outras informações que temos e que ainda não foram divulgadas continuarão preservadas por A Região até que a polícia as libere ou um jornal publique.

Acompanhamos a investigação e confiamos no delegado Nélis Araujo e sua equipe. Mas, se o delegado sucumbir às várias pressões, não tenha dúvida.

Vamos revelar tudo o que nós já apuramos e sabemos. Este foi o primeiro texto sobre o caso, mas vale detalhar um pouco o que foi resumido naquela época.

Quando Nélis começou a investigar, nós, eu e a jornalista Neandra Pina, iniciamos nossa própria apuração dos fatos. Ao longo de um mês, Nélis fez um trabalho fantástico, digno dos melhores detetives do cinema.

Ele descobriu que existia um esquema, envolvendo uma delegada de outra cidade, que encerraria o caso como morte de um indigente.

Nélis percebeu, apurou e descobriu o corpo enterrado ao lado da rodovia entre Floresta Azul e Itapetinga. Descobriu a Saveiro que transportou o corpo e quem ajudou a enterrar.

A burrice de Marcos foi amarrar o vaqueiro com arreios que tinham a marca do Haras Redenção, onde foi torturado, preso por dois dias, e morto. Uma prova irrefutável.

Intimado a depor, Marcos Gomes, valente contra alguém que estava amarrado, desabou na frente dos delegados Nélis, Evy Paternostro e Marlos Macêdo, diante das provas. Tremeu, gaguejou, quase passou mal. Saiu de lá escoltado por seguranças, ao lado do advogado Carlos Burgos, sem falar com a imprensa.

Na exumação do corpo, o azar estava contra Marcos de novo, porque o vaqueiro, que tinha sido espancado até ficar irreconhecível, usava a pulseira dada pela irmã, que desabou ao reconhecer o irmão na massa de carne e sangue.

Mais de 30 testemunhas confirmaram o que foi apurado. Uma cena bizarra aconteceu quando os delegados foram cumprir um mandado de busca na casa de Marcos Gomes.

Ele achou que ia ser preso naquele momento, pulou o muro de trás da mansão e saiu correndo pelo mato.

O caso só foi adiante, sob pressão política dos amigos do então prefeito Fernando, graças à integridade dos delegados e o destemor da juíza de Ibicaraí, Ana Cláudia de Jesus Souza, que emitiu os mandatos.

Na mansão, mais duas surpresas. A polícia encontrou uma carteira falsa de policial, assinada pelo então secretário de Segurança Pública Afrísio Vieira Lima, pai de Geddel.

A outra foi a descoberta de outro crime, furto de água ("gato") de grandes proporções. Com tudo isso, ninguém tinha esperança de ver o homicida preso, pela facilidade em ser "invisível" para a polícia.

Até esta terça-feira.

Posted at 4:17 PM


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13/10/20

Um sonho possível, mas improvável

Batendo papo por email com meu amigo Jáder Tavares, de Salvador, ele lembrou a cabeça pequena que eu sempre critiquei em Itabuna. Mesmo na época de ouro do cacau, quando dava para forrar as ruas com dólares, a cidade pensou pequeno e se manteve provinciana.

Jáder listou algumas providências que, para nós, são óbvias, mas já desisti de acreditar que um dia sejam realidade. Itabuna vai sempre eleger alguém de cabeça pequena (a de cima). Por exemplo, cadê as propostas para a cultura do cacau? Nenhuma. Até parece que não plantamos a base do chocolate, desejo mundial.

Nunca exploramos a rica história de coroneis e desbravadores, como fez Jorge Amado em seus livros. Não temos um Museu do Cacau, uma vila-cenário com personagens vividos por atores (como na Torre de Londres), um festival anual de gastronomia e lazer, um circuito de visitação de fazendas, eventos esportivos temáticos, nada.

"Cadê a proposta de recuperação e pavimentação em concreto das estradas do cacau?" pergunta Jáder. Sério? Os prefeitos sequer passam uma máquina nas estradas vicinais e o governo do estado abandonou a que foi feita para contornar a barragem de Itapé.

Quem produz ou mora na área muitas vezes fica ilhado, seu poder vender a produção em Itabuna ou até chegar na cidade. Pavimentar as estradas vicinais com concreto é mais barato que o asfalto e tem uma durabilidade muito maior. Daria rapidez e mobilidade para quem mora no campo, atrairia produtores e projetos turísticos.

"Cadê a proposta de instalação de torres para telefonia celular e para internet?" Taí uma coisa que poderia revolucionar campo e cidade ao mesmo tempo. Garantir internet e telefonia de qualidade na área rural poderia levar muita gente a mudar para lá.

Já existia a vontade de muitos, que aumentou exponencialmente depois da pandemia. Hoje todo mundo reavalia seus conceitos de moradia, de trabalho e de compras, com tendência de fazer muito mais online, morando em um lugar mais agradável e tranquilo.

"Cadê o endereçamento postal de cada estrada do cacau e das fazendas da área rural?" continua Jáder. É mais uma medida que incentivaria uma migração da cidade para a zona rural. Junte com internet, telefone, estradas pavimentadas e algumas outras medidas e voce teria um verdadeiro êxodo, desinchando as cidades.

Imagine que a zona rural tivesse tudo isso, mais linhas regulares de ônibus, entrega regular de encomendas, energia elétrica estável, rede de água e esgoto. Fatalmente atrairia lojas, escolas e equipamentos de lazer de qualidade, como uma mistura de shopping com hotel fazenda.

Não é difícil imaginar um condomínio só de casas, com terrenos grandes, muita área verde e... cercadas por roças de cacau em plena produção, dentro do mesmo projeto, com laboratório para desenvolver chocolates, cafés com degustação, hortas provendo alimentos orgânicos para os condôminos.

Milhões de pessoas ficariam interessadas em morar no campo se ele tivesse o melhor da civilização sem os problemas decorrentes dela. Atelies de moda, de arquitetura, de arte, poderiam funcionar bem nesse ambiente, como acontece em Embu das Artes, próxima a São Paulo.

Uma migração para o campo teria um excelente efeito colateral, o de desinchar cidades que hoje estão travadas, como Itabuna, onde o trânsito parece o de uma capital, no mau sentido. A cidade geraria menos lixo, ficaria mais limpa, mais agradável, segura e tranquila.

Mesmo sabendo que nada disso vai acontecer, sonhar é de graça e eu precisava pelo menos mostrar a voce que uma alternativa é possível. Antes eram Jáder e eu. Agora somos três sonhando...

Posted at 11:52 PM


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03/10/20

Em professor não se bate

Um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) me deixou triste e revoltado. Ele diz que o Brasil lidera as agressões a professores em escolas. Fico triste porque o professor é a pessoa mais importante em nossas vidas, depois de nossos pais.

Cabe a ele uma parte importante de nossa formação, não apenas escolar, mas para a vida. Cada professor que tive foi responsável por um pedaço de meu caráter e personalidade, de minhas qualidades. A vida foi responsável pelos defeitos...

Faço um parêntese para avisar que quando escrevo "professor" o faço para facilitar a comunicação. Voce é inteligente o suficiente para saber que me refiro tanto a homens quanto a mulheres. Eu jamais usaria a expressão imbecil "professox", coisa da pistolagem virtual do politicamente idiota que tomou conta de parte da imprensa.

Voltando ao assunto, acho inaceitável que o Brasil conviva com marginais nas escolas, pessoas que agridem alguém que dedica sua vida a ensinar, transmitir sabedoria, formar caráter. E não me refiro só a alunos, porque hoje em dia pais mal formados também se tornaram parte do problema.

Ao invés de educar e de repreender o filho rebelde, violento, arrogante, machista ou mau caráter, esses pais e mães vão à escola agredir professores que deram uma nota ruim ou chamaram a atenção da cria mimada. Pior, é um círculo vicioso, de pais defeituosos formando filhos defeituosos que serão pais defeituosos.

O levantamento da OCDE traz dados concretos. Dos mais de 100 mil professores no Brasil, 12,5% afirmaram ser vítimas de agressões verbais e intimidação de alunos. Em São Paulo, a GloboNews apurou que as agressões contra os professores cresceram 73% em 2018.

Já uma pesquisa feita pelo Sindicato dos Professores de São Paulo aponta que mais da metade dos docentes da rede estadual já sofreu agressões, sendo as mais comuns a verbal (44%), discriminação (9%), bullying (8%), furto ou roubo (6%) e agressão física (5%).

Por favor, não imagine que os casos acontecem só em escolas públicas de bairros pobres. Não, a arrogância de muitos pais de classe média e ricos é igual. Porque pagam uma mensalidade, alguns acham que os professores são empregados e seus filhos, intocáveis. Levar uma nota baixa é inaceitável.

Eles incentivam o filho a se impor sobre os professores, a questionar qualquer ordem que não seja de seu agrado. Daí a violência quando eles percebem que só xingar não afetou o professor. É a frustração de quem não tem argumentos, de quem está errado mas não aceita "perder" uma discussão.

Mesmo se não houver agressão física, aquelas verbais causam todo tipo de danos psicológicos nos professores.

A Secretaria de Educação de São Paulo deu 3.055 licenças por doenças relacionadas ao estresse e à depressão em 2019. No Rio de Janeiro, a cada três horas um profesor recebe uma licença por estresse.

A Universidade de São Paulo (USP) elaborou uma cartilha sobre violência escolar onde lista alguns dos principais problemas de saúde sofridos pelos professores.

Começa com sintomas psicossomáticos, como dor de cabeça, tontura, náusea, diarreia, enurese, sudorese, taquicardia, dores musculares, alterações no sono. Segue por um estresse que aumenta a disposição para doenças.

Também diminui a resistência imunológica. A lista inclui ansiedade, medo, raiva, irritabilidade, inquietação, cansaço, insegurança, tristeza, isolamento, impotência, baixa autoestima, rejeição, angústia, depressão e, o mais perigoso, pensamentos suicidas.

A cartilha destaca ainda o prejuízo para os professores na socialização, aumentando o isolamento social, gerando uma insegurança que pode afetar sua confiança nas outras pessoas, a capacidade de se expressar em público, de resolver conflitos e de tomar decisões.

Tudo isso porque alguns pais não educam seus filhos.

Está na hora de mudar as leis para criminalizar os pais omissos pelos excessos dos filhos. Professor merece flores e respeito. O agressor, cadeia.

Posted at 3:38 PM


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25/09/20

Repetindo o erro com ACM

A política, principalmente a baiana, está cheia de histórias deliciosas, de intriga, traições, erros grotescos, avaliações mal feitas e de gente pagando pelos pecados. Um dos personagens da Bahia cometeu, neste mês, um erro muito parecido com um que lhe custou caro nos anos 80.

Nesta semana Benito Gama (ou "Grana", como era conhecido naquela época) foi destituído do comando do PTB na Bahia, levando esporro. Ele tinha fechado apoio a Bruno Reis, candidato de ACM Neto, para a campanha a prefeito deste ano, mas sem consultar Roberto Jefferson, presidente nacional.

Ocorre que Jefferson é bolsonarista e o prefeito de Salvador vem dando declarações contra o presidente, se alinhando com o PT e o PSDB nesta ofensiva. Jefferson não gostou nem um pouco, mandou o partido retirar o apoio a Bruno Reis e cortou as asas de Benito.

40 anos depois, Benito repetiu um erro em situação com um ACM envolvido. Nos anos 80 o ACM era o original, avô do atual e dono absoluto da política baiana, a ponto de eleger João Durval com menos de 30 dias de campanha, logo após a morte de Clériston Andrade numa queda de helicóptero.

Fazendo um parêntese, meu pai, Manoel Leal, estava destinado a morrer naquele acidente e não assassinado a mando de certo prefeito corrupto que todas sabem quem é. Clériston estava indo fazer comício em Firmino Alves, base de influência de meu pai, que iria com ele.

Porém, pouco antes da decolagem, Luiz Eduardo pediu a meu pai para ficar em Itabuna e ir no dia seguinte, de carro, com ele. Playboy inveterado naquela época, Luis queria curtir a noite numa boate antes de "trabalhar" na campanha. Anos depois se tornaria um dos maiores políticos que tivemos.

O helicóptero levava, além de Clériston e assessores, uma montanha de cartazes e papel pesa. Foi justamente o excesso de peso que fez com que a aeronave caísse, matando o candidato a menos de um mês da eleição. Perguntado no dia seguinte, por uma repórter, como faria para eleger outro nome, ACM foi irônico.

"Minha filha, eu elejo até um poste em 20 dias. se quiser posso eleger voce". Não era exagero e ele provou, buscando um sertanejo totalmente desconhecido fora de Feira de Santana, João Durval Carneiro, que ainda por cima era ruim de fala e ao vivo parecia muito com um poste. Foi eleito com folga. Assim era a força de ACM.

Voltando a Benito... numa eleição nos anos 80 ele começou a espalhar que seria o candidato a governador pelo grupo de ACM na disputa seguinte, porque "teria mais votos que Luis Eduardo" na eleição para deputados daquele ano. Tudo sem combinar com o cacique. ACM deixou quieto, não falou nada.

Dois anos antes, o médico Antonio Menezes, pessoa muito querida em Itabuna, amigo de meu pai e dono de um coração enorme, tinha cometido um pecado. Ele se recusou a cumprir uma ordem de ACM, que não respondeu nada, mas guardou a ofensa em seu saquinho de maldades.

Dono de uma memória prodigiosa, ela funcionava ainda melhor para quem fazia desfeitas a ACM. Ele esperou dois anos e viu a oportunidade de dar o troco nos dois ao mesmo tempo. Benito era candidato a deputado estadual, assim como Menezes. O primeiro teria realmente a maior votação naquela ano e o segundo "estava eleito".

Tudo isso até 30 dias da eleição, quando ACM ligou para meu pai e os outros homens de confiança que tinha no sul da Bahia com uma ordem insólita: "descarreguem todos os votos em Roland Lavigne, de Canavieiras". Atônitos, todos perguntaram "quem?" Ninguém sabia quem era Roland, mas cumpriram a ordem.

O resultado, antevisto por ACM muito antes do eleitor depositar seu voto, foi Benito ficar na quinta ou sexta colocação e Menezes perder uma eleição garantida. De quebra, ele fez uma nova liderança, totalmente obediente a ACM, que só definhou por erros próprios e com a morte do cacique.

Posted at 7:36 PM


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22/08/20

A primeira Live ninguém esquece

Nos anos 80 um comercial genial, criado por Washington Olivetto, dizia que "o primeiro sutiam ninguém esquece". Foi um marco da propaganda nacional, sensível, criativo e bonito. Lembrei dele porque, para mim, da primeira live ninguém esquece. Pelo menos eu não vou esquecer.

Não estava nos meus planos, até porque a maioria das lives que eu via eram de shows musicais e eu só toco "mp3". Porém, a dificuldade em levar entrevistados para o programa Mesa Pra 2 (toda quarta, 15h, na Morena FM) estava me deixando desanimado. As pessoas estão com medo de sair de casa.

Um dia vi Jamesson, do blog Agravo, fazendo uma live sobre política e me interessei. Ele me deu a dica do Streamyard.com, sistema maravilhoso para fazer lives, fácil de usar, com bons recursos, ótima qualidade de som e imagem, sem precisar instalar nada no PC e... grátis. Nos tempos atuais, grátis é ótimo.

Visitei a página, vi uns tutoriais e me animei. Apesar de usar e estudar a internet desde o nascimento dela, nunca tinha feito uma live. Fiz curso de TV na BBC, já tinha feito um vídeo falando do jornalismo durante a pandemia, para o pessoal de Jornalismo da Unime e faço o Mesa Pra 2 sempre ao vivo. Mas live eu nunca tinha feito.

Tudo bem, é ao vivo como o Mesa Pra 2, e usa os mesmos princípios de dirigir tv ou vídeo. É tudo parecido, mas não é igual. É como um poodle e um pitbull. Os dois são cachorros, mas vai mexer com o segundo...

O tema já era algo que eu venho estudando, a Comunicação Pós-Pandemia, uma verdadeira revolução na maneira como ela é feita, absorvida e trabalhada. Achar os convidados certos foi fácil. Tuca Souza, professor de Jornalismo da Unime, também é locutor na Morena FM e já participei várias vezes de suas aulas batendo papo com os alunos.

Tuca vem dando aulas online, outra novidade imposta pela pandemia, e também é daqueles que estão sempre observando e pensando no desdobramentos da comunicação. O outro convidado, Antônio Xavier, é professor de Comunicação da Uesc e Doutor em Semiótica pela PUC-SP.

Não pense que tudo correu às mil maravilhas. A Lei de Murphy existe para essas ocasiões... Já tinha feito testes antes e tudo funcionava direito. Mas, faltando 15 minutos para a live, adivinha... meu microfone gerava um eco e dava microfonia. Pânico? Não, eu nunca esquento a cabeça. Mas que é chato, é.

Descobri que uma aba do navegador, que eu estava incluindo na live, tocava o que entrava pelo mic e isso causava o eco e a microfonia. Resolvido isso, descobri que a transmissão, que ia para o YouTube e de lá para o site da Morena, não tocava nele e só podia ser visto pelo YT. Tudo isso "em cima" da live.

Demorei mas achei um quadradinho na configuração do YT que tinha que ser ticado para deixar outro site (o morenafm.com) retransmitir a live a partir dele. Pronto. Tudo resolvido! Só que não... Antônio entrava só com áudio ou só com câmera... ê, Lei de Murphy!

Antônio conseguiu resolver e, a partir daí, a live correu tranquila. O Streamyard também pega os comentários feitos no YouTube e mostra para mim no "estúdio", a página onde controlo a live. Dá para variar a imagem dos debatedores, colocar um sozinho na tela, me deixar menor e quem está falando maior, etc.

É preciso destacar a participação do pessoal que assistiu, fazendo bons comentários o tempo todo. Fui incluindo a maioria na live usando um recurso do Streamyard que torna isso bem fácil. Pensei que não teria mais nenhum trabalho, mas... até parece. Depois que acabou a live não sabia o que o YT faria com ela.

Entrei no canal da Morena FM e a live não aparecia. Configurei tudo o que podia e nada. Invoquei caboclos, rezei para São Webinho, apelei para Alá e nada. Então fiz o que já devia ter feito antes: consultei o tio Google. Descobri que o YouTube leva até 72 horas para processar o video e incluir no seu canal. Ufa!

Quando ele finalmente fez isso, configurei metatags, descrição, dica de vídeo que aparece no final, tela de introdução, etc. e a live está, para sempre, lá no canal de YouTube da Morena FM. Ele ainda não tem um endereço personalizado. Por enquanto parece a sigla atual do movimento gay, cheio de letras.

Para mudar isso preciso de sua ajuda, levando gente para se inscrever.

Só tendo mais de 100 inscritos o canal pode ter um nome mais curto e lógico. Enquanto isso, se voce quiser ver a live, pode ir neste loooongo endereço do YouTube ou assistir na página de lives do site da Morena FM, aqui.

Ah, sim, a próxima live já está marcada para o dia 27, quinta, às 19h. Ela será internacional e regional ao mesmo tempo. Calma, eu explico.

A live terá Carlos Santal, grande artista plástico, compositor e cantor de Itabuna que está morando há anos em Portugal. Ainda estou tentando contato com outro sulbaiano, que mora há décadas na Inglaterra. Nosso assunto será a vida deles lá fora, antes e, principalmente, durante a pandemia e seus efeitos na carreira.

Um adendo

No meio de vários comentários, Tuca recebeu o de um amigo de São Paulo dizendo o seguinte: "Excelente conteúdo, especiais participantes. Tivemos até um Falabella Leal". Como? Caramba, apesar de me sentir super honrado com a comparação, não chego nem na poeira do cara.

Miguel Falabella é um artista completo. Excelente ator, escritor, roteirista e diretor, sabe nos emocionar com o drama e nos matar de dar risadas quando faz humor. Nos últimos 30 anos eram dele as únicas coisas que assisti na Globo. ele é outro planeta.

Bom, o amigo de Tuca continua: "com muito respeito aos anteriores conteúdos que encaminhaste, este superou muito. Como dito ao final, sem academismo". O que mais gostei foi o "sem academismo", porque este é meu objetivo de sempre, discutir qualquer assunto de forma séria sem cair no academicismo, na sopa de dicionário.

As pessoas de maior cultura, de maior conhecimento e qualificação geralmente explicam de forma simples as coisas mais complexas. O pessoal que sabe menos ou que só se preocupa com sua imagem geralmente explica de forma complexa as coisas mais simples.

Se não teve academicismo, eu, Tuca e Antônio cumprimos nosso papel. E nada realiza mais que isso.

Posted at 2:34 AM


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07/08/20

Brasil é prisioneiro político do STF

A deslavada censura imposta por Facebook, Twitter e Google a qualquer um que defenda a cloroquina ou tenha opinião diferente da OMS mostra a burrice de depender de 3 empresas na comunicação. 100% dependente dessas redes sociais, sua opinião pode ser eliminada da internet facilmente.

Não há alternativa viável, porque os usuários se acomodaram em usar apenas as redes sociais, que não pertencem a eles. Um site próprio não pode ser censurado, pelo menos em países onde a democracia ainda vale. Não é o caso do Brasil, onde o STF eliminou a liberdade de expressão.

A cantora Madonna teve censurado pelo Instagram um post que mostrava médicos defendendo a cloroquina. Se colocar no Facebook, Youtube ou Twitter vai ser censurada do mesmo jeito. Note que não é uma censura legal nem ordenada pela Justiça. São empresas passando por cima de seus usuários.

No lugar dela, eu usaria as redes para pedir que as pessoas visitassem meu site, onde colocaria o que quiser. Me limitaria a usar as redes como maneira de levar visitantes ao site. Eu tive vários posts no Facebook censurados porque alguém que não gosta do que escrevo "denunciou". Tomei a decisão mais óbvia: não posto mais no FB.

O Brasil já foi um país democrático mas, a partir do momento em que a maior instância da Justiça ignora um dos princípios mais importantes da Constituição Federal, a liberdade de expressão e opinião, a democracia é anulada. Sem liberdade de pensamento não existe democracia. Simples assim.

Se o STF, a última área de recurso, cancela uma liberdade essencial para a democracia, a quem podemos apelar? Não é ao bispo, porque daqui a pouco até na religião os "sinistros" do Supremo vão querer mandar. Eles hoje se tornaram deidades, uma casta divina sem limites e sem controle.

Criado para defender e fazer cumprir a Constituição, o STF vem mudando artigos "nas coxas", tomando decisões que afrontam seus artigos, eliminando direitos que a carta magna da nação considera inalienáveis. A única maneira de fazer o STF voltar a se comportar democraticamente seria o Senado cassar os ministros que pisam na Constituição.

Porém, mais da metade dos senadores têm rabo de palha seca, que pode pegar fogo em instantes se o STF não defendê-los da Polícia Federal e dos juízes de primeira instância. Então fazem uma dança imoral. O Senado finge não ver os atentados à democracia do STF e este se faz de cego em relação aos crimes dos senadores.

O pior desta situação é o cinismo da esquerda nacional. Os mesmos militantes que passaram anos criticando os governos militares por censurar jornalistas aplaudem o STF quando censura jornalistas favoráveis a Jair Bolsonaro, quando prende blogueiros e humoristas por pensar e se expressar.

Entidades como CNBB, Associação Brasileira de Imprensa, OAB, Anistia Internacional, Reporteres Sem Fronteiras e Fenaj, amplamente ligadas e controladas por pessoas da esquerda, se calam em relação à mordaça imposta pelo STF a jornalistas, artistas e blogueiros.

Não que seja alguma novidade. A esquerda sempre criticou os militares daqui por censurar e "matar opositores", mas aprova e apoia ditaduras comunistas e socialistas que eliminaram milhões de pessoas pelo simples fato de ser oposição, como em Cuba, onde jornalistas são mortos pelo Estado, Venezuela e Nicarágua.

Elas se juntam a megaempresas de comunicação que ganharam milhões com os governos petistas, vendendo sua linha editorial para proteger os partidos aliados e omitir seus crimes. Se não fosse a internet, até hoje o mensalão, o petrolão e os outros crimes da era petista estariam escondidos embaixo do tapete.

Foi a liberdade da internet que impediu o PT de criar um conselho para controlar a imprensa, de expulsar jornalista porque não gostou da opinião dele sobre Lula. Foi a internet que nos livrou da quadrilha petista derrotando Haddad, o novo poste do PT, e elegendo Bolsonaro.

O Brasil é um país conservador nos costumes e liberal na economia, mas estava preso na camisa de força da esquerda, libertina nos costumes e comunista na economia. Justamente por ter força para impor a vontade do brasileiro aos políticos, a internet é o principal alvo dos corruptos e da esquerda.

Sua arma é o STF, onde pedidos, mesmo absurdos, de partidos nanicos da esquerda (ou seja, sem representatividade na sociedade) são acatados em tempo recorde para emperrar o governo, limitar liberdades, impedir o programa que nós escolhemos nas urnas, democraticamente.

Sim, o Brasil elegeu Bolsonaro para executar o que pregava na campanha, de escola sem partido ao direito de ter uma arma em casa para se defender. Hoje, o único presidente a fazer o que prometeu na campanha é impedido de fazê-lo por uma milícia do pensamento que não tem a maioria do povo, mas está armada com Toffoli, Gilmar. Lewandovsky, Fachin et caterva.

Hoje, uma minoria com poder massacra uma maioria indefesa. Era assim logo antes da independência americana e da revolução francesa. É assim que muitas revoluções armadas começam...

Posted at 3:54 PM


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24/07/20

Um virus bem mais difícil de matar

Eu sei que voce ainda acredita que prefeitos e governadores estão preocupados com a saúde da população neste momento de pandemia, mas eu não tenho mais esta ilusão. O que começou como uma emergência séria virou uma oportunidade única para desvios e enriquecimento.

Quanto mais demora a pandemia, mais verbas federais são enviadas a prefeitos e governadores para ser usadas sem licitação nem controle. Obras não precisam ser iniciadas ou continuadas, serviços podem ficar precários desde que a Saúde seja mantida e a fiscalização desaparece.

Não me surpreendi com a descoberta de prefeitos registrando como "por coronavirus" mortes de pessoas que tiveram infarto, AVC e até câncer. Um grande número de óbitos por Covid-19 garante um valor muito maior de recursos para controlar a epidemia na cidade. Sem casos, sem grana extra.

Na minha cidade, Itabuna, o prefeito sentou em cima dos R$ 68 milhões que recebeu neste ano apenas para o combate ao coronavirus. Todos esperavam que ele gastasse tudo rapidamente, em compras superfaturadas e com gordas comissões para ele e sua família. É o retrospecto do sujeito.

Ao invés disso, não gastou em nada, preferindo deixar a população indefesa diante do virus. O dinheiro daria para construir 3 hospitais, com sobra. Mas ele não comprou nenhum respirador, não instalou nenhuma UTI, não contratou nenhum médico, não abasteceu a rede com remédios nem insumos.

Há a desconfiança de que não gastou nada porque não encontrou uma maneira de desviar sua fatia. Talvez perceba que a Polícia Federal está caçando, duramente, os secretários, prefeitos e governadores que desviaram o dinheiro que deveria salvar vidas. Vários já estáo na cadeia ou respondendo a impechment.

Porém a PF terá um trabalho ainda maior a partir de agora. Preocupado com a saúde da população, o Governo Federal emitiu uma MP em março, aprovada hoje pelo Senado, para agilizar as compras de materiais e os gastos de prefeitos e governadores para o combate ao coronavirus. A intenção foi a melhor possível, mas...

Como observou o ministro da CGU, a corrupção na saúde já corria solta muito antes da pandemia. É endêmica. A regra dos gestores públicos no Brasil é roubar para si e os amigos. A exceção é sair da prefeitura ou do governo morando na mesma casa, com o mesmo patrimônio.

Então, apesar das boas intenções, a MP tratou bandidos como gente honesta e o resultado é previsível. Com ela, a compra de equipamentos, medicamentos, contratação de bens e serviços podem ser feitos sem licitação. A exigência é que seja feita "em situação de emergência, com risco à segurança de pessoas".

Não é preciso ser vidente para saber que toda compra a partir da MP é "em situação de emergência, com risco à segurança de pessoas". A MP também libera a contratação de empresa que não está em dia com impostos nem regular em caso de "restrição de fornecedores". Ou seja, sempre haverá restrição de fornecedores.

Os contratos terão duração de até seis meses, podendo ser prorrogados por períodos sucessivos "enquanto a emergência de saúde pública durar, com acréscimo de até 50% do valor inicial". Esqueça o "até", ele será sempre aplicado e pelo valor máximo.

As cidades vão esticar a emergência ao máximo, mantendo pelo menos uns 10 casos ativos mesmo que o virus seja erradicado no país. Se não houver casos, cria-se... Esta pandemia mudou o mundo para sempre, sem volta. Mudou a economia, as relações de trabalho, o lazer, a cultura, o esporte, o ensino, a saúde, tudo.

O que eu espero é que também mude a impunidade histórica do Brasil e que milhares de prefeitos e governadores passem uma temporada na cadeia pelas fraudes que vêm fazendo com as verbas, bilionárias, que o Governo Federal repassa para combater o virus.

Acabar com o coronavirus será mais fácil que erradicar o virus da corrupção nacional.

Posted at 10:42 PM


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16/06/20

Brasil precisa de revolução jurídica

A vitalicidade do cargo para ministros do STF e sua indicação pelo presidente de plantão gerou uma corte ditatorial e impune, onde cada componente atua como uma divindade, sem aceitar críticas, mesmo quando estupra a Constituição Federal que tem o dever de defender. Além disso, mostra baixa qualificação.

Da maneira como hoje são formados os Tribunais de Justiça e as cortes nacionais, decididos exclusivamente pelo governante e sem possibilidade de mudança antes da morte ou da idade limite, eles não representam a sociedade, nem mesmo a judiciária.

Não faz sentido, por exemplo, um advogado sem qualquer experiência em julgar causas ser nomeado para uma corte que depende de sua capacidade de julgamento. O STF tem vários. Tribunais e cortes superiores deveriam ser exclusivos de juízes, que passam anos aprendendo, na prática, as muitas nuances de um julgamento.

Hoje o STF, uma corte de julgamentos, só tem três membros que foram juizes, Luiz Fux, Rosa Weber e Lewandowski. Cinco deles eram procuradores: Barroso, Fachin, Marco Aurélio, Gilmar Mendes e Carmem Lúcia. Já Celso de Mello e Alexandre de Moraes foram advogados e promotores. Dias Toffoli foi só advogado.

Por isso é preciso mudar a maneira de compor as Cortes do judiciário, melhorando sua capacitação, acabando com as razões pessoais e políticas da nomeação (Lula e Dilma só nomearam quem era claramente de esquerda, Bolsonaro vai nomear de direita), com o "ser grato" a quem indicou (a soltura de Lula e Dirceu são exemplos óbvios).

Minha proposta é de que desembargadores de TJs sejam eleitos com 60% de votos dos juizes do estado, 20% dos promotores e 20% dos advogados. Assim, o eleito teria representatividade ampla. Mas só juízes com pelo menos 10 anos de atividade prática poderiam concorrer, tornando o TJ o ápice da carreira dentro do estado e levando para a corte pessoas com experiência em julgar.

Para o STJ, STF e TSE só poderiam concorrer desembargadores, eleitos por 60% de votos dos desembargadores de todos os estados e 40% de todos os juízes do país. Assim, estes tribunais seriam o ápice da carreira judicial a nível nacional. Só chegaria ao STF, por exemplo, quem provou sua competência de julgamento num TJ.

O mandato de todos, de TJs a cortes superiores, seria de 10 anos, sem possibilidade de reeleição, em tempo algum. Em caso de morte ou afastamento de um desembargador ou ministro, seria dado posse ao segundo colocado na eleição. No caso de impedimento deste, ao terceiro e assim por diante.

Isso evitaria novas eleições em caso de vacância e os custos que teria. As eleições seriam casadas, para que o desembargador que está saindo possa concorrer a uma vaga nas cortes nacionais. A transição seria feita mantendo apenas os atuais ministros e desembargadores com menos de 10 anos no cargo.

No caso, hoje seriam mantidos Luiz Fux (entrou em 2011), Rosa Weber (2011), Luiz Roberto Barroso (2013), Edson Fachin (2015), Alexandre de Moraes (2017). Sairiam Celso de Mello (1989), Marco Aurélio (1990), Gilmar Mendes (2002), Lewandowski (2006), Carmem Lúcia (2006), Dias Toffoli (2009). A idade limite seria mantida.

Outra mudança que poderia ser benéfica é a criação do comitê de triagem. Ele seria formado exclusivamente por juízes com amplo conhecimento das leis e faria uma avaliação prévia da admissibilidade de uma ação.

Isto evitaria, por exemplo, que o STF julgue nomeação de pessoal pelo presidente, que é competência exclusiva dele. Ou a validade de uma lei aprovada pelo Congresso, que tem o direito constitucional de criá-las. Ações indevidas seriam rejeitadas sem tomar o tempo dos ministros.

Posted at 2:43 PM


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07/06/20

Números são honestos, pessoas não

Outro dia li um artigo sobre como a matemática é mal ensinada no Brasil, em especial nas escolas públicas. Nossas crianças e jovens não aprendem sobre estatística, probabilidade ou combinações, e o resultado é que não sabem interpretar dados, informações, números ou gráficos.

Citei porque o brasileiro, na média, não sabe interpretar os números do coronavírus, por isso fica na mão de jornalistas da grande mídia que não se importam em passar a informação correta e a situação real para as pessoas. Não que inventem, mas aproveitam essa deficiência da população para manipular a realidade.

Motivos? Além do viés puro e simples de veículos que são contra Bolsonaro, desde que ele cortou mais de um bilhão de reais em verbas que iam para meia dúzia de veículos na era do PT, existe o de sempre. Notícia ruim vende jornais e dá audiência a rádios e tevês. Notícia boa, não.

Isto já foi provado inúmeras vezes ao longo das últimas décadas. Basta ver que as maiores audiências foram todas sobre desastres, mortes, acidentes graves, crises políticas e coisas do tipo. Cite uma notícia positiva de grande repercussão que tenha visto ou lido de janeiro para cá. Pois é, voce não lembra de nenhuma.

Mas o que isto tem a ver com o coronavirus? Tudo. Antes me deixe explicar que, quando falo de "grande midia" quero dizer Folha de SP, O Globo, TV Globo, Estadão, UOL e outros deste tamanho, a mídia feita nas capitais, em sua maioria de esquerda, em sua maioria órfã dos milhões que recebia de Lula e Dilma.

Ela não é a mídia nacional. O conjunto de mais de 5 mil emissoras de rádio, de milhares de jornais e sites noticiosos do interior é que refletem a alma nacional. São eles que procuram dar as notícias da forma mais honesta possível. São veículos menores, que vivem perto de seus leitores e ouvintes, conhecem sua realidade e também são afetados por ela.

Voltando ao coronavírus, o mais recente "escândalo" é o fato de o Ministério da Saúde divulgar os casos ativos e não os acumulados da doença. Eu, como jornalista no jornal A Região e no Jornal das Sete da Morena FM, já não divulgava o acumulado e por uma razão óbvia. É um dado inútil, que só serve para causar alarme e pânico sem necessidade.

Impressiona todo mundo dizer que neste domingo o Brasil tem 678 mil casos de coronavirus, mas isto é falso, porque é passado. Metade deles (338.162) já foram resolvidos. 302 mil pacientes foram curados e 36 mil morreram. Estes casos não têm qualquer influência hoje em nossa vida.

O que tem importância e, portanto, deve ser o foco da divulgação do ministério e da mídia, são os casos ativos. São eles que mostram a realidade. A mídia devia estar comparando a quantidade de casos ativos, pessoas com sintomas leves e graves, semana a semana. Isto mostra, de verdade, se a pandemia está crescendo ou diminuindo.

Neste domingo, o Brasil tinha 340.198 casos ativos, dos quais 331.880 (98%) são de pessoas que não têm sintoma algum (nem tosse, nem febre, nem nada) ou apenas sintomas leves, como o de um resfriado comum. Outras 8.318 (2%) estão com sintomas graves e internadas em UTI. Destas, pelo retrospectro da doença, 5% a 6% vão morrer.

Um dado muito importante que a grande mídia faz questão de ignorar é que este percentual de casos ativos com sintomas graves vem caindo desde o meio de maio. Ele era de 11%, caiu para 9%, depois 8%, 6% e na sexta-feira passada, dia 8, estava em 3%. Neste domingo é de apenas 2%.

Isto mostra que a parte grave da pandemia está passando, que o pico já ficou para tras. Dê uma olhada neste gráfico, do site World Ometers, que mantém os números da pandemia no mundo em tempo real. Note a curva da linha de baixo, é a do índice de mortes. Observe que o pico de sua curva está no meio, no dia 14 de maio: 14,9%.

Agora veja como, a partir daí, este índice vai diminuindo, até chegar a 4 de junho com 10,64%. Já a linha de cima é a do índice de curados. Seu ponto mais baixo foi em 11 de maio, com 85,03%. Ele foi subindo e em 4 de junho estava em 89,36%, quatro pontos acima.

Juntando as coisas. Voce tem um índice de cura que está crescendo e um de mortes que está caindo. Mais importante que isso é o percentual de casos graves dentro dos ativos, de apenas 2%. Significa que apenas 2% de quem pega o vírus hoje precisa ser internado. Um número que era de 11% há duas semanas.

A situação está melhorando e a pandemia passando, mas a grande mídia não vai ter audiência falando isso. Ela precisa manter o que ganhou de atenção por mais tempo, torce para a pandemia demorar mais. Por isso fala em casos acumulados para dizer que "batemos recorde".

Claro, todo dia haverá mais casos acumulados, logo todo dia é recorde, de casos e de mortos. Só que isto não significa absolutamente nada. O que existe de real é que, apesar do número de novos casois ainda estar aumentando, o de sintomas graves vem caindo drasticamente. Breve só haverá pessoas com sintomas leves, inofensivos.

Voltando ao início, se a matemática fosse ensinada de forma mais inteligente, nossa população saberia compreender os números e dados da pandemia e não se deixaria enganar pela manipulação das informações. Só 16% de todos os que terminam o ensino médio sabem matemática de forma adequada. E mesmo estes não aprenderam a ler dados.

É mais um item para a nação resolver depois da pandemia.

Posted at 7:38 PM


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29/05/20

A ditadura do STF censor

É até um pleonasmo falar da completa ilegalidade da ação aberta pelo STF (a suposta vítima) para ele mesmo investigar se houve crime contra ele. É o exemplo perfeito de ditadura, onde quem manda é polícia, juiz, jurado e executor num só. Pior, o inquérito visa apurar um crime que não tem definição legal, logo, inexiste.

Todas as "provas" coletadas das pessoas que o ministro Alexandre de Moraes atacou são inúteis, porque ilegais. Mesmo que ele depois encaminhe as denúncias para o Ministério Público (que tem a prerrogativa legal de abrir investigações), os promotores vão ignorar todas e não terão alternativa a não ser arquivar.

O STF, nos últimos anos, se tornou uma excrescência legal. Criado para ser a última instância do judiciário e analisar casos que atentem contra a Constituição, ele virou um Estado. Interfere no Executivo, chegando a impedir nomeações e demissões ou mudanças de ministérios, prerrogativas exclusivas do Presidente da República.

Interfere no Legislativo, anulando sessões, ordenando votações e criando leis, prerrogativas exclusivas dos deputados e senadores. Abre investigação, usurpando o papel exclusivo do Ministério Público. Manda fazer busca e apreensão ilegalmente, muda leis sem passar pelo Congresso.

O pior é que, tudo o que o STF está fazendo visando unicamente tornar inviável o governo e derrubar um presidente eleito pelos brasileiros se torna jurisprudência. Significa que todas as ilegalidades do STF serão invocadas em ações futuras e darão respaldo a quem invocar.

Nesta semana o STF, na prática, recriou a censura, abolida pela Constituição depois de longa luta dos brasileiros. A partir de agora, quem falar mal do STF ou alguma de suas deidades ficará sujeito a receber a visita da Polícia Federal na porta, às 6 da manhã, armada.

A esquerda, em especial deputados do PT e PSOL, comemoraram a ação do STF, mas não deviam. Se hoje é permitido que ele censure e persiga quem defende Bolsonaro, amanhã a mesma medida pode ser usada para perseguir a própria esquerda. É a tal da jurisprudência.

Essa esquerda doentia e obtusa deve lembrar que os próximos três ministros da corte serão nomeados por Bolsonaro. Basta um para fazer o mesmo papel de Alexandre de Moraes, respaldado pela precedência que ele criou. Mas não acredito que o presidente deseje isso.

Apesar de muita gente confundir seu direito a criticar a imprensa com "ser contra a liberdade de expressão", seus atos (e os não atos) provam o contrário. Ele é massacrado por Folha de SP, Estadão, UOL e Globo todo dia, muitas vezes com deturpação de suas falas, manipulação de dados e informações, manchetes que destoam do texto.

Porém, até hoje, não tomou uma única ação de retaliação ou vingança contra eles. Bolsonaro não expulsou nenhum correspondente estrangeiro que repete os ataques da mídia gauche, como Lula fez e depois teve que voltar atrás. Não tentou cirar um "conselho" para controlar a impresa, como Lula e Dilma tentaram.

Não usou o dinheiro público, da Saúde, da Educação, da Segurança para pagar jabás e comprar a opinião desses mesmos veículos da mídia, que recebiam cerca de R$ 1 bilhão por ano para ignorar as falcatruas da quadrilha, elogiar as medidas e avalizar as mentiras dos governos petistas. Não usou a PF para perseguir ninguém, como fez o STF.

Ele critica duramente a imprensa, sim, mas qualquer pessoa com meio cérebro sabe que se refere a estes veículos e não à toda a imprensa. Eu sou imprensa duas vezes, no jornal A Região e na Morena FM, cresci com o exemplo de meu pai, Manoel Leal, de jornalismo investigativo, implacável e de opinião. E nunca me senti atingido por Bolsonaro.

O discurso duro contra a imprensa é direito dele, meu e seu. Assim como criticar o STF, o Congresso ou qualquer funcionário público, porque é isso que todos eles são. É nosso direito e também do presidente da República. O que ele faz é muito mais importante que o que ele diz quando está irritado.

Todos os atos, todas as ações, todas as medidas tomadas por Jair Bolsonaro desde que assumiu a Presidência são de defesa da liberdade de opinião e da liberdade da imprensa que, por sinal, ele incluiu entre os serviços essenciais para evitar que algum governador ou prefeito mandasse fechar quem o critica alegando o lockdwon da pandemia.

Existem abusos por parte de apoiadores de Bolsonaro? Sim, existem, como ameaçar ou atacar jornalistas da mídia gauche. É inaceitável, até porque eles apenas coletam as informações. Quem escreve as matérias e manipula os dados são outras pessoas, por ordem de um chefe. E nem esses devem ser ameaçados. A imprensa tem que ser livre.

O jornalista precisa ser protegido e os agressores processados e punidos, mas não se pode jogar essas agressões na conta de Bolsonaro, nem mesmo alegando que seus discursos "incentivam" a violência. Em nenhum momento ele falou em atacar jornalistas e já reiterou, várias vezes, que "as culpa não é de voces (repórteres) e sim dos editores".

Democracia requer imprensa livre e também a disponibilização da informação para todos, não só para aliados.

Enquanto Lula dava entrevistas só para blogueiros pagos para defendê-lo ou de esquerda e Dilma só falava com veículos amigos, Bolsonaro atende a todos, expõe sua opinião e as medidas do governo abertamente no Twitter e no Facebook, aberto a qualquer veículo. E faz "coletivas" diárias na porta do palácio.

Lula e Dilma falavam todo dia em "valorizar" os veículos do interior, em "democratizar a mídia", mas concentravam toda a verba federal em uma dúzia de veículos "aliados e coniventes", que ficaram milionários durante a gestão da quadrilha. Bolsonaro cortou a propaganda que não fazia sentido e democratizou o resto.

Hoje a Morena FM, por exemplo, recebe mídia federal todos os meses, assim como milhares de rádios do interior que eram ignoradas ou recebiam contratos tão pequenos que o custo de envio dos documentos por Sedex anulava o lucro. Na gestão atual, os contratos são decentes e o envio é eletrônico, online.

Tão importante quanto a liberdade de imprensa, mas ignorada pelos grandes veículos da mídia, é um marco na história dos governos civis no Brasil: um ano e meio sem nenhum caso de corrupção no governo. A mídia se acostumou tanto com a roubalheira desenfreada dos antecessores que se nega a admitir que este é honesto.

Honesto na gestão e na opinião, doa a quem doer. E o que mais doi nos opositores é o fato de Bolsonaro ser autêntico e franco. Fala o que pensa e não coloca uma "máscara social" quando vai a público. Ele é o que é, sem maquiagem. Talvez por isso consiga fazer o que Sarney, Collor, Lula e Dilma nunca puderam: andar na rua sem ser xingado.

Existe sim ameaças à liberdade de opinião, mas não vem dele e sim do STF e de parcela do Congresso.

A eles, o recado: não nos renderemos.

Posted at 10:57 AM


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O tiro no pé de Celso e Moro

Eu tinha certeza de que o vídeo da reunião daria razão a Bolsonaro. Não por desconfiar de Moro, que continuo admirando como juiz, pessoa, ex-ministro. Só não gostei da maneira como resolveu sair do governo. Para mim, fizeram sua cabeça para virar político. Da pior forma. Mas o vídeo destroçou sua alegação.

O que eu vi no video da reunião de Bolsonado com os ministros mudou minha opinião. Se antes eu achava que a equipe era boa, agora estou orgulhoso do time que está tocando o país. Foi uma reunião fechada, que em qualquer país é secreta por força de lei. Só aqui, no quintal do mundo, se abre um vídeo desses.

Mas ainda bem que abriram. O que eu vi foi uma equipe comprometida e entusiasmada em servir o país, orgulhosa do que vem fazendo. A Damares defendendo os valores de ciganos e quilombolas, os idosos e mulheres agredidas. Ela denunciou a prisão de idosos, mulheres e até crianças por ordem dos governadores e prefeitos.

"Vamos abrir processo contra todos e pedir a prisão deles". Tudo bem, é um exagero gerado pela indignação dela (e minha, e de Bolsonaro, patente no vídeo). Mas ela também denunciou uma tentativa de infectar índios em Roraima com coronavirus para "dizer que estamos dizimando índios e jogar nas costas do presidente". A denúncia é séria.

A bronca do presidente, lembrando que é o chefe, que é sua prerrogativa e que vai interferir em todos os ministérios é normalíssima. Coisa normal na vida de qualquer empresa grande que tenha CEO, de qualquer governo democrático e, muito mais, nos comunistas e socialistas.

É óbvio e claro que ele reclamou da falta de informações vindas da PF, Abin, da inteligência das Forças Armadas e todo mundo. Não reclamou que a PF não informa o que ele quer, muito menos pediu dados de ações específicas. Reclamou foi da ineficiência no fornecimento de informações para a tomada de decisões.

Bolsonaro está certíssimo em reclamar disso, porque informação qualificada é fundamental para um governo tomar decisões e evitar crises. Não é à toa que os Estados Unidos tem uma dúzia de agências de inteligência, assim como Inglaterra, França, Alemanha, etc.

A mídia gauche, aquela que ficou milionária com Lula e odeia Bolsonaro por não pagar jabá nem mensalinho para jornais, ficou sem norte. Percebeu que nada do que Moro afirmou é bem verdade. Se tratou mais de uma interpretação errada do ex-ministro. Passou a procurar detalhes mínimos para criar factóides.

Desabafos de ministros indignados com a canalhice que o STF ou o Congresso pratica, ideias soltas, comentários bobos em uma reunião que, lembro, era privada, tudo isso virou novos "escândalos", "motivos para impeachment". Quanta besteira. Até a frase do Weintraub, apesar de pesada, é o retrato fiel dos políticos de Brasília.

Bateram porque Bolsonaro disse que "população armada nunca é escravizada", querendo criar um escândalo porque ele "quer armar o país". Um lembrete para esse pessoal: Bolsonado foi eleito defendendo a liberação de armas e nós o elegemos porque concordamos com ele.

A Janaína Pascoal, para raiva da esquerda, que vem usando suas críticas contra o presidente, resumiu assim: "Eu não sei se eu estou vendo a fita que vinha sendo anunciada. Realmente não sei. A fita que eu estou vendo reelege o presidente", escreveu a deputada no Twitter.

O que fica do vídeo é um presidente íntegro, comprometido com as liberdades, com o progresso do país, honesto, firme, franco, corajoso, preocupado com as pessoas. Desbocado? Sim, ele também é, e daí? Ao contrário dos antecessores, não é falso, não coloca uma máscara para enganar os trouxas.

Ele é o que é. Pra mim está ótimo.

Posted at 10:45 AM


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17/05/20

O comércio no pós-coronavirus

Não vai existir "volta à normalidade". Aquele normal não existe mais. O que vai aparecer é a nova economia "normal". O setor turístico, por exemplo. Quanto tudo for liberado, nem por isso será fácil viajar nas férias. Haverá menos empresas aéreas, com menos aeronaves e menos destinos, com passagem mais cara.

Os hotéis no destino também serão menos, com preços mais caros e dificuldade em achar um quarto vago na alta temporada. Alugar um carro será igualmente difícil. Usar o transporte público será uma boa opção apenas em lugares onde ele foi preservado, que não serão muitos. Viagens curtas no próprio estado aumentarão.

Tomar café numa mesinha na calçada, fazer um lanche, almoçar num restaurante ou comer uma pizza à noite será algo muito limitado, seja pelo fechamento de boa parte deles (se estima em metade), seja pelos preços mais altos, com maior custo de alimentos e serviços. Mas o setor deve voltar a crescer rápido, com novos operadores e maior demanda.

O uso das máscaras vai virar rotina em restaurantes, bares, salões de beleza e em empresas com atendimento direto ao público. Fabricar e vender máscaras será (já é) um negócio rentável e permanente. O delivery, não só de de comida como de qualquer outra coisa, vai explodir nas cidades.

Os lojistas finalmente vão manter permanentemente o que sugiro desde 2000: um site vendendo para a própria cidade, com entrega no mesmo dia usando motoboy ou carro da firma. Isto vai reforçar o poder econômico das lojas locais, gerar empregos e trazer de volta as vendas tomadas pelas grandes redes online nos últimos anos.

As lojas físicas tenderão a ser menores, mais preocupadas em servir como mostruário e cativar clientes que para efetuar a venda dentro dela. As mais inteligentes vão criar nas lojas atrações como desfile de nova coleção para grupos de clientes (roupas e sapatos), demonstração de eletros, aulas e cursos ligados aos produtos que vende.

A necessidade de espaços menores vai mexer com o mercado imobiliário e facilitar a aparição de pequenos "malls" com 20 ou 30 lojas pequenas e opções de alimentação, uma espécie de micro-shopping. Eles poderão ser instalados em terrenos pequenos, em área aberta, com investimento infinitamente menor que o de um shopping center.

O próprio shopping poderá dividir lojas maiores em duas ou mais menores, acompanhando a tendência de necessidade reduzida de espaço. Com isso poderá ter uma diversidade maior de produtos e serviços, aliados à praça de alimentação, cinema e outras atrações de lazer.

Lojas grandes vão virar galerias com 10 ou 20 lojinhas, que vão faturar mais com a venda online e entrega em casa do que com as físicas no local. A revolução no formato do comércio de rua vai diminuir o fluxo de carros, a necessidade de ônibus e de estacionamentos no centro.

Lojas que terão a maior parte das vendas online, seja via site ou WhatsApp, poderão ser instaladas em qualquer lugar, sem a obrigação de estar no centro ou em bairros com mais comércio. Esta mudança vai impactar no uso do transporte público, já que a tendência será contratar pessoas do próprio bairro.

A menor necessidade de vendedores in-store vai ser compensada com a maior de entregadores, de pessoal qualificado para o controle das vendas online e das entregas. A explosão do delivery vai aumentar as vendas de motos e as oficinas de sua manutenção. Surgirão empresas dedicadas a motoentrega das outras.

As lojas de eletros, eletrônicos e materiais de construção mais espertas vão incluir a instalação no processo de entrega, gerando demanda por profissionais como eletricistas, montadores, instaladores, pedreiros, encanadores e cursos técnicos para enfrentar esta necessidade.

Restaurantes e bares serão exceção. Apesar do reforço no faturamento com delivey, o forte continuará sendo a operação física, que até deve aumentar nos próximos anos devido à demanda psicológica reprimida. As pessoas darão mais valor aos encontros com amigos e a sair para comer fora.

A maior concorrência, com mais lojas no mercado, e a necessidade de firmar no consumidor o costume do delivery vai gerar uma maior demanda por mídia de massa, principalmente o rádio. A consequência será, em pouco tempo, uma "fila de espera" por espaço para anunciar, porque a lei impõe limites de propaganda por hora.

Poucos setores, como padarias, supermercados e frigoríficos, continuarão mais ou menos como hoje. Os outros enfrentação uma mudança radical na maneira de vender e no comportamento do consumidor.

Vai se dar melhor quem entender que a economa de antes não existe mais.

Ela se divide entre AC e DC. Antes e Depois do Coronavirus.

Posted at 1:51 PM


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08/05/20

Salvar o Yin sem salvar o Yang

Feche os olhos (depois de ler este parágrafo, claro). Imagine sua cidade sem bares, restaurantes, lanchonetes, farmácias, supermercados, lojas, sinal de celular, acesso á internet, rádio, televisão, feiras, frigoríficos, postos de combustível, escolas, clínicas, hospitais, forncedor de água, coleta de lixo. Dá para viver nela?

A discussão entre "salvar vidas" e "salvar empresas" é uma idiotice. Me lembra o radicalismo verde de exigir que nenhuma folha seja mexida e que tudo fique intocado, mesmo que falte comida para as pessoas. Um colunista imbecil do UOL, por exemplo, postou "Elite vai ao STF mais preocupada com morte de CNPJs do que de CPFs".

O colunista usou, para postar, um PC feito por um CNPJ, a energia elétrica e a internet fornecidas por um CNPJ, em cima de uma mesa vendida por um CNPJ, num apartamento construído por um CNPJ, enquanto comia um lanche com alimentos plantados e vendidos por um CNPJ. Mais tarde vai limpar o cérebro com papel higiênico vendido por um CNPJ.

De onde ele pensa que vem a comida, o papel higiênico, a pasta de dente, os remédios? Será que imagina que brotam do chão? Ele se soma a uma multidão de esquerdistas sedentos apenas de odiar o presidente, eleito pelos brasileiros para executar seu projeto de governo - não o da esquerda.

A ideia por trás da idiotice é a seguinte. O governo deve trabalhar somente para salvar pessoas durante a epidemia, ignorando todas as outras coisas que, por sinal, fazem parte de sua obrigação. Não querem que cuide da economia porque sabem que um país quebrado facilita a volta da esquerda pregando milagres.

Mas não adianta salvar as pessoas do virus se elas não tiverem o que comer em seguida. Vão morrer de fome. Não adianta trancar tudo para salvar os 10% dos infectados que morrem em decorrência do virus se isso significa ameaçar a vida dos outros 90% por falta de remédios, comida, eletricidade, água.

Supermercados e farmácias não se abastecem sozinhos. Crianças não são educadas sem escolas. Lojas de roupa precisam das fábricas, como o cidadão precisa da loja para não andar nú ou em farrapos. A não ser que saiba costurar, mas também não terá onde comprar agulha, linha e tecido se todas as lojas quebrarem.

Existe a fase em que o comércio fechado gera prejuízos e demissões, a atual, mas o governo federal foi exemplar nas medidas que tomou. A perda de empregos e o fechamento de empresas foi imensamente menor do que seria ou do que aconteceu, por exemplo, nos Estados Unidos. Só de desempregados ele já tem 36 milhões a mais que há dois meses.

No Brasil, o adiamento de parcelas de empréstimos, novos empréstimos com garantia do Tesouro, pagamento de parte dos salários pelo Governo Federal, adiamento de impostos, entre outras, foram medidas inteligentes que colocaram o país à frente dos europeus.

O problema é entrar na segunda fase, aquela em que o fechamento das empresas já dura tanto que nem essas medidas são suficientes para evitar a falência da maioria e o desempego em massa. Algo que o ministro Paulo Guedes chama de "desestruturação da economia". Eu chamo de caos.

É a situação em que as empresas que sobraram não conseguem mais produzir o suficiente para a necessidade das pessoas. Quando supermercados ficam com as prateleiras vazias, faltam remédios essenciais, o combustível é racionado, assim como a água e a energia elétrica. É o que acontece na Venezuela, só que lá começou bem antes da pandemia.

A falência em massa gera milhões de pessoas sem dinheiro para as necessidades básicas e menos consumidores, o que gera mais falência e desemprego. A decadência do comércio, da indústria e dos serviços reduz enormemente a arrecadação de impostos, o que leva as prefeituras e estados a também falir.

Com menos dinheiro arrecadado com impostos, nenhum governo poderá pagar Bolsa Família, auxílios e benefícios, manter escolas públicas nem serviços essenciais, consertar estradas, manter a iluminação das ruas, a segurança, o transporte, muito menos o SUS.

Quem trabalha na rua não terá onde almoçar, por falta de restaurantes. Se voce precisar de lâmpada, disjuntor, uma resistência de chuveiro, reparo de torneira, cola, ferramenta, pilhas, um chaveiro para abrir a porta, um encanador, um eletricista, água mineral, gás, absorvente, shampoo, sabonete, seja lá o que for, não vai encontrar.

A discussão sobre salvar CNPJs ou CPFs é idiota porque os dois são uma coisa só. Um CNPJ é formado por CPFs e trabalha para manter a vida dos CPFs. Salvar só um ou outro é não salvar ninguém.

Posted at 11:37 PM


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04/05/20

Quem ameçou a democracia foi este

Acho impressionante alguém acusar Bolsonaro de ter "sonhos autoritários". Até aqui ele tem sido muito mais democrático do que Lula, por exemplo, jamais foi. O atual presidente não criou uma só lei ou decreto que atente contra a democracia ou a liberdade de imprensa, mesmo atacado 24h por dia pelos grandes veículos.

São os mesmos veículos (Folha de SP e seu instituto Datafolha, UOL, Globo, Estadão) que ganhavam milhões de reais por mês para diluir os crimes do governo e elogiar suas medidas. Esses veículos chegaram a ignorar atentados claros de Lula contra a liberdade da imprensa, ou seja, sua própria liberdade.

Lula tentou emplacar uma lei criando um órgão para controlar a imprensa, com poder para impedir o jornalista de trabalhar se ele "ofendesse" órgãos do governo, partidos políticos ou políticos. A definição dessa "ofensa" seria dada por um sindicato que é comandado pela esquerda há mais de 40 anos.

Criou conselhos aparelhados para controlar os ministérios quando não estivesse mais no poder, formado por gente de facções como MST, o braço sindical do PT (CUT) e similares. Bolsonaro teve que enfrentar raios e trovões para acabar com essa interferência absurda no Executivo.

Lula queria expulsar um jornalista do país porque não gostou do que ele escreveu (e ele apenas noticiou o que o país inteiro sempre soube, que o petista bebe muito). Só mandava verba de mídia para veículos que o elogiassem ou ignorassem seus crimes.

Bancou com dinheiro público um bando de blogueiros para atacar a oposição. Fazia "coletivas" só com blogs aliados. Dava entrevistas exclusivas só aos veículos submissos a ele. As facções ligadas ao PT e a Lula, como o MST e Via Campesina, praticaram atos violentos sem ser punidos. Chegaram a invadir e depredar o Congresso Nacional.

Os veículos que hoje vêem "atentado contra a democracia" em atos de Bolsonaro ou de seus apoiadores são os mesmos que ignoraram os ataques violentos e a invasão do Congresso, nunca criticaram nem cobraram punição para os marginais que praticaram esses atos.

Se limitavam a dar espaço para esses marginais dizerem que os atos eram "pacíficos", que eram "protestos legítimos" e outras baboseitas que fazem parte da cartilha de discursos da esquerda. Globo, Folha, UOL, Estadão trataram a invasão do Legislativo do país como coisa trivial e normal.

Hoje atuam, diariamente, visando desgastar, sabotar e destituir um presidente eleito por nós, brasileiros, para viabilizar a volta de um presidiário. Se existe um atentado à liberdade de imprensa, vem desta facção da imprensa que não se conforma com a escolha dos eleitores.

Ao transformar intrigas e fofocas em notícia, ao entortar fatos para caber no seu projeto de destituição do presidente, ao ignorar o que realmente importa para o país, ao colocar futricas políticas acima de temas como saúde e educação, ao não cumprir sua função social, este veículos ameaçam a imagem da midia junto à sociedade.

Ameaçando esta imagem, fazem com que muita gente passe a ver a mídia em geral como algo tendencioso e, por isso, descartável. Passe a não enxergar importância suficiente para que ela seja protegida. A partir daí, o perigo para jornalistas e veículos de imprensa se tornará generalizado.

Bolsonaro não ameaça a impresa. A parte militante da imprensa ameaça a imprensa.

Posted at 3:23 PM


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